| "A criança sente-se culpada" |
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Data: 28-02-08 Fonte: Jornal de Notícias Todos os dias chegam ao Instituto de Medicina Legal de Lisboa casos de abusos sexuais a crianças. A médica Anabela Neves atende, pelo menos, dois por dia, e não são raras as vezes em que os mais pequenos lhe pedem para que o abusador não seja preso. "Geralmente, só quando a criança atinge um estado de desespero e de desconforto insuportável é que consegue denunciar o abusador, que, na maioria das vezes, é alguém próximo, o que lhe causa maior angústia", conta a médica, à agência Lusa. A criança vai revelando o segredo e sente-se culpada. Isto porque quem abusa é também quem cuida ou quem dá presentes. É uma guerra de sentimentos. "O abuso intrafamiliar é um dos segredos mais difíceis de quebrar e, em regra, 70% dos abusos são praticados por alguém conhecido pais, avós, tios ou amigos da família", pormenoriza. "Quando uma criança chega ao Instituto de Medicina Legal, geralmente acompanhada da mãe, é recebida numa sala repleta de brinquedos e, entre brincadeiras, a médica de serviço estabelece uma primeira comunicação observando o seu comportamento", acrescenta. "A maneira inocente de contar o que se passou através de uma brincadeira pode mostrar muita coisa...", explica. Alguns dos bonecos são criados para este tipo de exame. São réplicas do corpo humano, permitindo perceber o grau de conhecimento sexual de uma criança. Só depois de conquistada a confiança é que a médica avança para o exame do corpo da criança em busca de marcas.
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