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Radiografia - Serviço de Pediatria do Hospital de Garcia de Orta PDF Imprimir e-mail

Artigo de: Medicina e Saúde / Nº120 - Outubro 2007

Fonte: JAS Farma

 

Serviço PediatriaRadiografia - SERVIÇO DE PEDIATRIA DO HOSPITAL DE GARCIA DE ORTA


Entrevistas com:
- Dr. Ana Jorge, directora do Serviço Pediatria
- Dr.ª Maria José Fonseca, neuropediatra

 

O Serviço de Pediatria do Hospital de Garcia de Orta é responsável pelo atendimento a uma população de mais de 50 mil crianças e jovens. Foi alvo de mudanças significativas em prol do melhoramento da qualidade de serviços prestados aos mais pequenos.

 

Remodelação com inúmeros sorrisos pintados

 

Num farol marítimo cor-de--rosa, com a bandeira de Portugal no topo, é possível ver um porquinho empoleirado numa palmeira a espreitar por um binóculo. Num outro patamar deste mesmo farol, uma joaninha repousa tranquila e um pequeno dinossauro dorme profundamente.

Personagens como estas existem em filmes ou bandas desenhadas, assim como no imaginário de miúdos e até de graúdos. Aquelas, especificamente, «habitam» numa das paredes da sala de espera do Centro de Desenvolvimento da Criança Torrado da Silva – um sonho de alguns anos recentemente concretizado. Este «sonho» é uma das valências do Serviço de Pediatria do Hospital de Garcia de Orta, situado em Almada.

Quanto às simpáticas figuras acima referidas – bem como as inúmeras existentes nas paredes de todos os espaços do Serviço de Pediatria –, foram criadas por pintores profissionais da Fundação Paint a Smile. Este tornou-se, assim, no 44.º projecto, no 12.º país, desta Fundação, cuja missão é desdramatizar o ambiente hospitalar e «pintar» sorrisos no rosto de crianças hospitalizadas ou que têm de ir a uma consulta médica, através de pinturas decorativas.

 

Breve apresentação

 

O Hospital de Garcia de Orta foi inaugurado em Setembro de 1991 para prestar cuidados de saúde à população dos conce-lhos de Almada, Seixal e Sesimbra. Na altura da inauguração, havia entre 320 a 350 mil utentes, mas actual-mente são apro-ximadamente 400 mil, sendo 55 a 60 mil até aos 15 anos.

As actuais valências deste Serviço, que se dedica a crianças e jovens até aos 15 anos (em alguns casos, até aos 18 anos), entraram em funcionamento gradualmente. As primeiras foram a Neonatologia e a Consulta Externa de apoio aos recém-nascidos. Funcionam em estreita colaboração com a Maternidade, que está inserida no Serviço de Obstetrícia/Ginecologia e na qual houve, em 2006, cerca de 3900 partos.

«Só em Novembro de 1992 é que foi possível abrir a Urgência Pediátrica e a Consulta Externa, que, actualmente, engloba a Pediatria Geral e algumas especialidades (Pneumologia, Nefrologia, Hematologia, Gastrenterologia, Adoles-centes, Dermatologia, Neurocirurgia, Ortopedia e Endocrinologia)», indica a Dr.ª Ana Jorge, directora do Serviço Pediatria do referido hospital.

  


Neonatologia e Neuropediatria

 

Os Cuidados Intensivos Neonatais e a Neuropediatria são dois dos sectores do Serviço mais desenvolvidos e nos quais se tem feito grandes investimentos.

«O facto de ser um hospital de apoio perinatal diferenciado, a nível nacional, significa que tem capacidade de receber mães e/ou bebés de alto risco, devido a complicações maternas ou pediátricas», diz a directora do Serviço de Pediatria, referindo-se à valência de Neonatologia, que tem cuidados intensivos e intermédios.

Em média, passam por esta Unidade 300 a 350 bebés por ano. A grande prematuridade e a síndrome de dificuldade respiratória são as situações mais frequentes. A necessidade de realizar fototerapia, a síndrome de privação ou a necessidade de administrar antibióticos por risco infeccioso são outras situações comuns. Sempre que possível estes bebés ficam junto das mães, na enfermaria de puerpério, onde se pratica o alojamento conjunto mãe/filho.

No que diz respeito à Neuropediatria e Desenvolvimento, foi alvo de uma relevante transformação. Diz Ana Jorge que «desde a inauguração do hospital que esta área tem sido uma das áreas médicas que procurámos diferenciar no serviço».

E informa: «Esta diferenciação passou também pela necessidade de criar um espaço próprio, construindo um pavilhão específico, no recinto da unidade hospitalar, em que se oferece um atendimento de melhor qualidade e mais adequado a estas problemáticas.»

Trata-se do Centro de Desenvolvimento da Criança Torrado da Silva, inaugurado a 1 de Junho de 2007. Inclui áreas integradas – Neurologia, Desenvolvimento e Reabilitação –, que funcionavam em diferentes zonas do hospital, ao nível de consultas, diagnóstico e tratamento de várias doenças neurológicas e do desenvolvimento.

 

Outras valências

 

Paralelamente à existência destas duas áreas mais desenvolvidas, as outras valências do Serviço de Pediatria não são menos importantes.

O número de casos que surgem neste serviço é variável. A afluência é sazonal, sendo maior entre os meses de Outubro e Março.

Todavia, segundo Ana Jorge, «até ao ano 2000 recebíamos aproximadamente entre 150 a 200 crianças por dia. Mas, nesse mesmo ano, com a reestruturação das urgências pediátricas, foi estabelecida a referência obrigatória na vinda à Urgência Pediátrica, com excepção da emergência e da urgência».

«Assim», prossegue, «todas as crianças com doença aguda deveriam pro-curar o médico assistente ou ligar para a Saúde 24 e, se necessário, eram encaminhadas para a Urgência. Dessa forma, conseguimos reduzir o número de casos, sendo atendidos somente aqueles que realmente necessitam de cuidados hospitalares, o que permite uma melhoria da qualidade no atendimento nas situações mais graves».

Contudo, no primeiro semestre de 2007, verificou-se um aumento progressivo da procura. A média diária de casos que apareciam na urgência pediátrica rondava os 100 e agora é de cerca de 150/dia.

«Estamos preocupados com este aumento, sobretudo porque se trata de um atendimento maioritariamente de consulta. Apenas 4% dos utentes necessitam de ficar internados na Unidade de InternaInternamento de Curta Duração (UICD) do Serviço de Urgência», comenta Ana Jorge.

A UICD da Urgência Pediátrica interna crianças que necessitam de cuidados médicos durante um curto espaço de tempo. Já o internamento de Pediatria destina-se a situações mais complexas, regra geral, originadas por doenças crónicas ou patologias agudas.

O Hospital de Dia Médico-Cirúrgico é outra das áreas importantes do serviço. Destinado a doenças crónicas respiratórias, metabólicas, neurológicas, gástricas ou outras, possibilita um acompanhamento periódico (diário, semanal ou mensal) mais próximo, reduzindo bastante a necessidade de internamento.

 

Pintar sorrisos

 

Além da criação do Centro de Desenvolvimento da Criança, o Serviço de Pediatria ganhou, artisticamente, uma nova cor. Pois é, conforme referido no início, os pintores da Fundação Paint a Smile deixaram a sua marca.

A Dr.ª Maria José Fonseca é neuropediatra e coordenadora do Centro de Desenvolvimento da Criança. Foi uma das grandes dinamizadoras deste projecto, de início pensado para o Centro, mas, posteriormente, alargado a todo o Serviço de Pediatria.

«Queríamos criar algo novo e tornar o espaço mais acolhedor e tranquilizador. Já conhecia o trabalho da Paint a Smile e contactámo-los», conta Maria José Fonseca.
No entanto, para levar avante a contratação dos serviços dos pintores, houve necessidade de encontrar apoios financeiros, tanto para a pintura da «Paint a Smile» como para a pintura base no Serviço.

De acordo com Ana Jorge, «à excepção do Centro de Desenvolvimento, as paredes tiveram de ser pintadas de novo, com uma cor diferente da anterior. Seria impensável fazer a pintura decorativa em cima da tinta velha».

O Hospital de Garcia da Orta disponibilizou a mão-de-obra para a pintura das paredes. Quanto aos patrocínios conseguidos, estão visivelmente assinalados em diversos locais.

«Os hospitais, de uma forma geral, têm uma cor monótona, triste. Com o trabalho da Paint a Smile, o Serviço aproximou-se das crianças, sendo mais adequado às suas vivências», frisa Ana Jorge.

De facto, Maria José Fonseca comenta que «as pinturas são fundamentais para criar um ambiente mais descontraído não só para as crianças, mas também para os profissionais.»

«Através desta decoração, conseguimos estabelecer um contacto mais fácil com os pequenos utentes», sublinha a directora do Serviço de Pediatria.

E Maria José Fonseca completa: «Vamos sempre chamar as crianças à sala de espera e à medida que avançamos para o gabinete de consulta vamos conversando sobre os desenhos, ou contamos-lhes uma história baseada nas pinturas. Muitas vezes, quando chego à sala, já consegui avaliar vários aspectos, através das reacções e da conversa.»

O feed-back tem sido bastante positivo e, como não poderia deixar de ser, inúmeros miúdos e graúdos já foram «contagiados» com sorrisos. Até nós!


Texto: Sofia Filipe
Fotos: José Madureira

 

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